terça-feira, 22 de abril de 2008

Brainstorm sobre quem sou


Sou escorpiano,mas que importa isso?
Gosto dos sorrisos sinceros
Das "conversas jogadas fora"
Leio como um condenado (Dostoiévski e Victor Hugo, meus preferidos)
Um pouco tímido,às vezes
Outras não
Demorei a acreditar quando passei no vestibular
Viciado em Radiohead e Silverchair(bandas de rock)
Bethoven e Mozart, de vez em quando
Praia quase nunca
Assisti no cinema "Eu sou a lenda" com o Will Smith esse ano e gostei muito
Curso biblioteconomia na UFC (Biblio o quê, alguém perguntou?)
Tenho um amigo chamado Samuel, o cara mais legal que eu conheço
Gosto de massas, de lazanha
Dei uma entrevista no Tantos Talentos, do canal 17, mas quase ninguém viu
Vivem me perguntando por que tenho cabelos brancos.Sei lá, deve ser genético.
Nem bonito nem feio, se bem que eu acho isso muito relativo
Trabalho num centro cultural.as crianças de lá me chamam de tio Jorge
Minha irmã, a Joyce, é a pessoa mais inteligente que conheço
Eu não sou um andróide paranóico (trecho da música paranoid android, do Radiohead, Que está entre as 100 melhores músicas do século)
Fiz teatro, mas nunca fui bom ator
Sempre sonhei ser guitarrista de uma banda
Minha equipe ficou com um texto pro seminário sobre o dialogismo de Bakhtin.O pior texto que eu já peguei na faculdade.Não quero nunca mais ouvir falar desse cara!
Assisti os 3 filmes "O senhor dos anéis" consectivamente!
Estou escutando agora o álbum mais recente do Silverchair, o Young Modern
Num show de rock quase levei uma cotovelada no olho
Van Gogh e Monet, geniais pra mim
Tenho um irmão, o Joni, que mora em São Paulo
Não sei como conseguia ler Paulo Coelho na adolescência (todo mundo tem um passado negro!)
Namorei uma menina chamada Edilene
Morei em São Paulo e num sítio do interior do Ceará, próximo de Jaguaribe
Gosto de escrever e do Chaves também
Não gosto de me expor muito.Mas hoje me deu uma vontade de falar sobre mim...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Pacto com a solidão.


Queria fazer um blog só com textos escritos por mim.Mas as palavras às vezes me faltam,as idéias se tornam nebulosas.A poesia não a encontro e a beleza do escrever bem não a tenho.
Encontrei este texto que fala sobre o desaparecimento das bibliotecas, intitulado "Pacto com a solidão".Achei-o de uma beleza singular e de uma verdade infeliz.

Pacto com a solidão

As bibliotecas particulares, ao que parece, tendem a desaparecer. São cada vez mais raros, entre as novas gerações, aqueles seres antigos, esquisitos, com a estranha mania de ler e adorar livros, catando-os, ao longo da vida, em exaustivas pesquisas, na saudosa poeira dos sebos, no requinte das livrarias.

Não os vejo mais sentados em seus terraços ou nos bancos das praças - retratos, aliás, há muito tempo descolados dos álbuns de memória. Sabe-se de um ou outro que, desafiando intempéries naturais, ainda sobrevive em escritórios sombrios, mergulhados nesta espécie de “misantropia literária”.

Percebo agora, quando os fios brancos iniciam a conquista do que resta de cabelos pretos em minha cabeça, que os filhos de hoje não estão mais interessados nas bibliotecas árdua e pacientemente organizadas pela maioria dos pais que viveram, ontem, em casas desabitadas de livros.

E se não estão interessados nem mesmo nesta herança cujo tesouro são as palavras, e cujo único esforço, para possuí-lo, seria tão-somente o de gostar de ler e zelar pela saúde física dos volumes, como construirão seus próprios acervos? Talvez a tecnologia tenha melhores respostas para esta questão...

Leio nos jornais que uma nova invenção ameaça superar definitivamente o mais importante objeto de transmissão de conhecimento e perpetuação da cultura, ou seja, o livro. Trata-se, dizem os arautos, de uma espécie de tinta eletrônica capaz de formatar palavras automaticamente na tela de um livro-computador, ou vice-versa.

Vejo, então, numa curva da estrada do futuro, toda a Biblioteca de Alexandria reduzida a uma construção de poucos centímetros de vidro, plasma e fibras óticas. E, nos recônditos das casas que sobreviveram aos edifícios, pilhas esquecidas de coisas mofadas, úmidas de lágrimas antigas, verdes de vergonha pelo abandono de olhos e mãos.

Observo que os últimos guardiões do templo livre das palavras - vencidos pelo tédio ou pelo tempo - já abandonam seus postos. E não há troca de guarda. Os bastiões semânticos estão entregues agora às traças ou trapaceiros, aos reitores ou novos sátrapas do mercado livreiro. O prazer estético da leitura se dilui no colorido veloz das interfaces.

O homem que, por algum motivo, se desfaz de sua biblioteca é um homem que já começou a morrer. Paixões arrefecidas no peito, já não o satisfaz a última novidade na forma, o inusitado da mensagem nova.

Não lhe interessa mais saber de Dostoievski nas linhas do autor contemporâneo mais famoso...O processo começa lentamente. Primeiro, retira da prateleira "tudo aquilo que não é mais essencial", ato que uma desculpa sutil justifica: "A velhice encurta as bibliotecas... ficam os valores autênticos, as vaidades vão embora."

Depois, num falso altruísmo, caso não tenha ainda vendido ou trocado nada, doa-se quase tudo.Em seguida, o torpor. Uma espécie de niilismo alastra-se pelo cérebro tal qual um tumor maligno, embotando os sentidos e a consciência. O humor (e a verve célebre) também começa a desaparecer, dando lugar aos resmungos, ao alheamento. "Tudo muito chato... já não se escreve como antigamente.

"Os amigos - ou o que restou dos companheiros de memoráveis batalhas intelectuais, de intermináveis tertúlias, onde revoluções começavam e terminavam sem um único morto, sem um pingo de sangue - ou morreram, ou cansaram, ou padecem do mesmo mal.

Os elos desta sociedade - que nasceu do aço puro da estética - enferrujaram e se quebraram de maneira quase imperceptível.As novidades que chegam pelo correio dormitam durante dias sobre a escrivaninha ainda vestidas de papelão. Antes, eram abertas com sofreguidão, como se escondessem diamantes e não palavras.

Os livros que chegam como presentes são quase desprezados. “Com tanta coisa interessante por aí, só me trazem besteiras”... O melhor, para quem sente sintomas como esses, é seguir os passos do Coronel Aureliano Buendía, e fazer um pacto honrado com a solidão - para o velho revolucionário do romance de Gabo, o verdadeiro segredo da boa velhice. Caso contrário, corre-se o risco de se esperar a vida inteira pela passagem do próprio enterro...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Diário de um estudante de Biblioteconomia(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Qual a importância da contação e da construção de histórias?
Divagando sobre essa indagação, viajei no tempo até muitos anos atrás.Amigos, parentes, meus avós e eu, sentados na calçada da casa de meus avós, no interior de Jaguaribe.Passava as férias nesse sítio.Num tempo em que a energia elétrica e a televisão não tinha chegado ali, em que as pessoas se reuniam para conversar, contar histórias, lembrar acontecimentos;num tempo em que ouvir estórias era tão ou mais interessante que assistir uma novela.
Histórias de trancoso, como a da botija, me fascinam até hoje.Na noite escura, onde só a Lua e as estrelas nos iluminavam, as narrações adquiriam um quê de mágico.Sentado na cadeira de balanço, balançando-me nos braços da imaginação.Essas eram noites fantásticas para mim.Estávamos juntos, e nada nos fazia falta...
com a energia elétrica veio a televisão.E essas noites se foram.Cada um na sua casa, em frente à televisão.Não pode perder a novela das oito;Nem o jornal Nacional.Por quê?Porque não, ora!
Anos depois, tentava lembrar-me das histórias ouvidas.Mas nossa memória às vezes nos é cruel.Contudo, algumas ainda consegui lembrar.E a que retive com mais nitidez foi a da botija.Com base nessa história ouvida, escrevi um conto.Aí cheguei em outro ponto:escrever sobre algo, verídico ou não, é o modo mais seguro de preservar ou mesmo mostrar nossa "leitura do mundo".sim, pois quantas histórias belíssimas contadas oralmente não se perderam por ninguém ter as escrito?