
Na aula do dia 13/05/08, de Teoria e Prática da Leitura, apresentamos a história: "O mundo de Flora", resultado da leitura do livro de imagens "A menina das borboletas", de Roberto Caldas.Eis a história.
O mundo de Flora
Flora vivia cercada de borboletas. Pretas, amarelas, azuis, de todas as cores. Elas nunca a deixavam sozinha. Certo dia pediram, em coro:
-Queremos uma flor!
E Flora foi em busca da mais bela e perfumada flor. Plantou-a com todo o cuidado, pois além de bela era muito delicada.
-Obrigada Flora!- agradeceram, em uníssono, as borboletas.
Mas assim que se virou, dona Lurdes, puxando seu carrinho de feira e pensando no ensopado de jiló que faria ao chegar em casa, nem reparou na flor e esmagou-a com o pneu do carrinho.
-Oh, não!- gritaram as borboletas.
Flora, triste, promete-lhes plantar outra flor. Assim o fez. E, coisa estranha, as borboletas
ao seu redor pareciam multiplicar-se!
A nova flor prometia ser bela e cheia de vida, mas ai dela, o de homem bigode negro, apressado para o trabalho, também não reparou na flor e pisou-a.
-Oh, não!- protestaram as borboletas.
-Como os adultos são distraídos!- queixou-se Flora.
Contudo Flora não gostava de ver as borboletas tristes. Assim, partiu novamente em busca da mais bonita e perfumada flor. Plantou-a com todo esmero. E as borboletas multiplicavam-se cada vez mais ao seu redor.
-Obrigada Flora!Obrigada Flora!- repetiam.
Já ia voltando para casa quando veio o Julinho, na sua bicicleta nova. E passou justamente sobre a flor.
-Oh, não!- lamentaram as borboletas.
E pela primeira vez Flora chorou.
-Não chore, Flora- consolaram-na.
Animada pelas borboletas, Flora mais uma flor plantou. Dessa vez ninguém pisá-la-ia!Por precaução cercou-a. Mas a cerca não impediu que um cachorrinho fizesse xixi na flor. Morreu, a despeito dos cuidados de Flora.
Não desistiu e mais uma flor plantou ainda. Resolveu passar a noite ao seu lado, para não deixar que nada de mal lhe acontecesse. Na noite enfeitada de estrelas, o chão duro pareceu-lhe o mais macio colchão, as borboletas cobriram-na, protegendo-a do frio. E assim dormiu.
Sem que desse por isso, Flora não se lembrava mais de sua casa, sua família, seus brinquedos, e nem sentiria falta. Aquele tornara-se seu mundo.
A flor crescia, bela e cheia de vida, e novos botões apareciam. As borboletas faziam festa de Flora e ela sorria. E o seu sorriso enchia de vida aquele lugar. E a sua alegria fazia-a voar, voar com as borboletas.

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