sábado, 7 de junho de 2008

Teias


Hoje não foi um bom dia pra mim. Não mesmo. Parece que tudo de errado deu pra acontecer de uma vez. Desejava esquecê-lo, mas qual!
Sabe aqueles momentos em que temos vontade de gritar a plenos pulmões?Pois é, eu estava com uma vontade enorme de gritar. Mas o que os vizinhos iriam pensar?No mínimo, achariam que estou louco.
Choro. As lágrimas caem mansamente sobre o travesseiro. Queria ser outra pessoa. Mas isso não dá!Meu corpo é uma prisão. Quem sabe se eu tentasse ser diferente. Deixaria de lado a timidez, sairia um pouco, de vez em quando, conheceria pessoas novas. Mas não, não. Prefiro a segurança do meu quarto. E ademais, provavelmente não faria amizade com ninguém numa festa, bar, ou qualquer outro lugar.
Não tenho amigos. Desejo isso tanto... E talvez saiba o porquê disso. Sou meio estranho, confesso. E sem graça também. Nunca contei uma piada na vida, não sei manter uma conversa com ninguém. Também, não entendo de quase nada. Futebol, política, livros: nem adianta tentar. Mas entendo de teias. Meu quarto está repleto delas. Há teias por toda parte, centenas delas. Não só em meu quarto, mas em toda minha casa. Às vezes, sinto que estou preso numa grande teia, como uma mosca. Contudo, isso não me apavora.
Como pude ser tão idiota?As pessoas estão sempre se aproveitando de mim. Sou ingênuo como uma criança. Hoje, outra vez fui ludibriado. Já estou acostumando-me a isso. Sempre que sou enganado por alguém, reprovo-me depois, mas sempre cometo os mesmos erros.
Mente cheia é inimiga do sono. E a minha estava a mil. Dava até pra imaginar meus neurônios, ligando-se e desligando-se freneticamente. Vi isso numa aula de biologia há um bom tempo. Eles funcionam associando idéias ou fatos a outros, nem sempre aparentemente conexos. Desculpe se falo bobagens. Nem sei se é assim mesmo. Mas quando começo a pensar, não paro. Posso divagar assim por horas a fio. Isso me faz distraído. Por vezes, no trabalho, alguém fala comigo e nem escuto, até que a pessoa insista. É como se meu corpo ali estivesse, mas minha mente voasse longe. E ela sempre chegava ao mesmo lugar. Em meu quarto, o único lugar em que me sinto tranqüilo. Conheço cada detalhe dele, cada uma das rachaduras nas paredes e das centenas de teias que o decoram. Quando há uma nova, com uma rápida passada de olhar, percebo-a.
Lembrei-me agora de um sonho que tive, meses atrás. Estava no trabalho, organizando alguns documentos. As pessoas vinham falar comigo, mas entre elas e eu havia uma enorme teia, nos separando. Elas falavam, mas não as ouvia. Eu gritava, mas não me escutavam. Eu saia então pelas ruas e me aproximava das pessoas. Tentava falar com elas, mas sempre a teia!
Nada de sono. E quanto prazer sinto em dormir. Quando durmo, esqueço de tudo. Como isso é bom!Se pudesse, dormiria sempre, hibernaria como um urso, e só acordaria para...
“Para quê?”
Nesse momento, o silêncio pareceu-me maior. Nem minha respiração ouvia. “Para quê?”, repetia.
Desesperei-me. Não encontrava resposta à minha indagação.
-Para quê?- gritei então, com todas as minhas forças. Um grito rouco, desesperado. Senti então uma inexplicável calma. Deitei-me, a olhar o teto.
O que aconteceu depois nem eu saberia dizer com precisão, se foi sonho, realidade, ou uma mistura dos dois. O certo é que percebi que as aranhas faziam teias ao meu redor. Sentia-me cada vez mais preso. Faziam também na porta, na janela, por todo o quarto. Parecia que queriam prender-me ali. Tentei mover-me e não consegui. Estava preso, realmente. Mas não era minha intenção fugir. Não tinha medo. Conformava-me.
Não sei se isso se passou em horas, dias. Perdi a noção do tempo.
Elas continuavam a tecer. O quarto já estava completamente tomado pelas teias. Só minha cabeça estava descoberta. Então bocejei. O sono estava chegando. Finalmente!
Esqueci das aflições do dia. Nem eram tantas assim. Eu sempre exagerando!Não valia a pena nem lembrá-las.
Escuto pessoas conversando e rindo, ao longe. Jovens farreando, provavelmente. Nunca fiz isso com amigos, com ninguém, aliás. Não importa. O sono agora me impede de pensar. Bendito sono. Dormirei agora. Quando acordar será um novo dia.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O apanhador no campo de centeio


Li o livro há algumas semanas atrás e achei fascinante,único na literatura.Quando da leitura do livro,parece-me que ele realmente foi escrito por um jovem, tal a sua fidedignidade.Acho que todo jovem deve se identificar um pouco com o Caulfield, com os seus problemas,a sua visão de mundo, suas contradições...

Sinopse

À espera no centeio (O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira) narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 17 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

domingo, 18 de maio de 2008

Pintores preferidos

Música clássica

Descobri a música clássica há pouco tempo, através de um amigo, o Jesus.Ele me emprestou um CD com a 9ª sinfonia de Bethoven e logo depois um do Mozart.Me emocionei ao ouví-los.Estar em contato com as mais lindas canções já produzidas é algo sublime, mágico. Quão diversas foram as emoções ao ouvir "A flauta mágica" ou os grandiosos concertos de piano de Mozart. Acho que todos devem conhecer pelo menos um pouco de música clássica.Deitar-se, fechar os olhos, e deixar a música nos envolver...

O mundo de Flora


Na aula do dia 13/05/08, de Teoria e Prática da Leitura, apresentamos a história: "O mundo de Flora", resultado da leitura do livro de imagens "A menina das borboletas", de Roberto Caldas.Eis a história.

O mundo de Flora

Flora vivia cercada de borboletas. Pretas, amarelas, azuis, de todas as cores. Elas nunca a deixavam sozinha. Certo dia pediram, em coro:
-Queremos uma flor!
E Flora foi em busca da mais bela e perfumada flor. Plantou-a com todo o cuidado, pois além de bela era muito delicada.
-Obrigada Flora!- agradeceram, em uníssono, as borboletas.
Mas assim que se virou, dona Lurdes, puxando seu carrinho de feira e pensando no ensopado de jiló que faria ao chegar em casa, nem reparou na flor e esmagou-a com o pneu do carrinho.
-Oh, não!- gritaram as borboletas.
Flora, triste, promete-lhes plantar outra flor. Assim o fez. E, coisa estranha, as borboletas
ao seu redor pareciam multiplicar-se!
A nova flor prometia ser bela e cheia de vida, mas ai dela, o de homem bigode negro, apressado para o trabalho, também não reparou na flor e pisou-a.
-Oh, não!- protestaram as borboletas.
-Como os adultos são distraídos!- queixou-se Flora.
Contudo Flora não gostava de ver as borboletas tristes. Assim, partiu novamente em busca da mais bonita e perfumada flor. Plantou-a com todo esmero. E as borboletas multiplicavam-se cada vez mais ao seu redor.
-Obrigada Flora!Obrigada Flora!- repetiam.
Já ia voltando para casa quando veio o Julinho, na sua bicicleta nova. E passou justamente sobre a flor.
-Oh, não!- lamentaram as borboletas.
E pela primeira vez Flora chorou.
-Não chore, Flora- consolaram-na.
Animada pelas borboletas, Flora mais uma flor plantou. Dessa vez ninguém pisá-la-ia!Por precaução cercou-a. Mas a cerca não impediu que um cachorrinho fizesse xixi na flor. Morreu, a despeito dos cuidados de Flora.
Não desistiu e mais uma flor plantou ainda. Resolveu passar a noite ao seu lado, para não deixar que nada de mal lhe acontecesse. Na noite enfeitada de estrelas, o chão duro pareceu-lhe o mais macio colchão, as borboletas cobriram-na, protegendo-a do frio. E assim dormiu.
Sem que desse por isso, Flora não se lembrava mais de sua casa, sua família, seus brinquedos, e nem sentiria falta. Aquele tornara-se seu mundo.
A flor crescia, bela e cheia de vida, e novos botões apareciam. As borboletas faziam festa de Flora e ela sorria. E o seu sorriso enchia de vida aquele lugar. E a sua alegria fazia-a voar, voar com as borboletas.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Silverchair -reflections of sound (a banda preferida do "não mais um na multidão").


Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.

Eu sei, muita turbulência já foi vivenciada
Minha última gota de esperança não vai durar para sempre
Como uma memória nunca precisa

Nós passeamos presos em pensamentos
Alguns são vagos, alguns cresceram demasiadamente curtos
É a única coisa que eu tive até agora que me mantém sozinho

Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.
Quando ninguém está perto

Pegue carona nas curvas do tempo
Sinta-se tão vazio quando eu me sinto tão bem
Um recomeçar poderia revelar novos horizontes

Eu venho esperando faz muito tempo
Sigamos juntos
Pois você me mantém animado, apesar do Sol decadente que se põe

Já há muito tempo que eu espero
Agora minha cabeça está cheia de pressão
Eu preciso de tempo para reorganizar meus pensamentos
É como um ‘’loop’’ que dura pra sempre

Eu venho esperando faz muito tempo
Sigamos juntos
Pois você me mantém animado, apesar do Sol decadente que se põe

Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.
Quando ninguém...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Brainstorm sobre quem sou


Sou escorpiano,mas que importa isso?
Gosto dos sorrisos sinceros
Das "conversas jogadas fora"
Leio como um condenado (Dostoiévski e Victor Hugo, meus preferidos)
Um pouco tímido,às vezes
Outras não
Demorei a acreditar quando passei no vestibular
Viciado em Radiohead e Silverchair(bandas de rock)
Bethoven e Mozart, de vez em quando
Praia quase nunca
Assisti no cinema "Eu sou a lenda" com o Will Smith esse ano e gostei muito
Curso biblioteconomia na UFC (Biblio o quê, alguém perguntou?)
Tenho um amigo chamado Samuel, o cara mais legal que eu conheço
Gosto de massas, de lazanha
Dei uma entrevista no Tantos Talentos, do canal 17, mas quase ninguém viu
Vivem me perguntando por que tenho cabelos brancos.Sei lá, deve ser genético.
Nem bonito nem feio, se bem que eu acho isso muito relativo
Trabalho num centro cultural.as crianças de lá me chamam de tio Jorge
Minha irmã, a Joyce, é a pessoa mais inteligente que conheço
Eu não sou um andróide paranóico (trecho da música paranoid android, do Radiohead, Que está entre as 100 melhores músicas do século)
Fiz teatro, mas nunca fui bom ator
Sempre sonhei ser guitarrista de uma banda
Minha equipe ficou com um texto pro seminário sobre o dialogismo de Bakhtin.O pior texto que eu já peguei na faculdade.Não quero nunca mais ouvir falar desse cara!
Assisti os 3 filmes "O senhor dos anéis" consectivamente!
Estou escutando agora o álbum mais recente do Silverchair, o Young Modern
Num show de rock quase levei uma cotovelada no olho
Van Gogh e Monet, geniais pra mim
Tenho um irmão, o Joni, que mora em São Paulo
Não sei como conseguia ler Paulo Coelho na adolescência (todo mundo tem um passado negro!)
Namorei uma menina chamada Edilene
Morei em São Paulo e num sítio do interior do Ceará, próximo de Jaguaribe
Gosto de escrever e do Chaves também
Não gosto de me expor muito.Mas hoje me deu uma vontade de falar sobre mim...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Pacto com a solidão.


Queria fazer um blog só com textos escritos por mim.Mas as palavras às vezes me faltam,as idéias se tornam nebulosas.A poesia não a encontro e a beleza do escrever bem não a tenho.
Encontrei este texto que fala sobre o desaparecimento das bibliotecas, intitulado "Pacto com a solidão".Achei-o de uma beleza singular e de uma verdade infeliz.

Pacto com a solidão

As bibliotecas particulares, ao que parece, tendem a desaparecer. São cada vez mais raros, entre as novas gerações, aqueles seres antigos, esquisitos, com a estranha mania de ler e adorar livros, catando-os, ao longo da vida, em exaustivas pesquisas, na saudosa poeira dos sebos, no requinte das livrarias.

Não os vejo mais sentados em seus terraços ou nos bancos das praças - retratos, aliás, há muito tempo descolados dos álbuns de memória. Sabe-se de um ou outro que, desafiando intempéries naturais, ainda sobrevive em escritórios sombrios, mergulhados nesta espécie de “misantropia literária”.

Percebo agora, quando os fios brancos iniciam a conquista do que resta de cabelos pretos em minha cabeça, que os filhos de hoje não estão mais interessados nas bibliotecas árdua e pacientemente organizadas pela maioria dos pais que viveram, ontem, em casas desabitadas de livros.

E se não estão interessados nem mesmo nesta herança cujo tesouro são as palavras, e cujo único esforço, para possuí-lo, seria tão-somente o de gostar de ler e zelar pela saúde física dos volumes, como construirão seus próprios acervos? Talvez a tecnologia tenha melhores respostas para esta questão...

Leio nos jornais que uma nova invenção ameaça superar definitivamente o mais importante objeto de transmissão de conhecimento e perpetuação da cultura, ou seja, o livro. Trata-se, dizem os arautos, de uma espécie de tinta eletrônica capaz de formatar palavras automaticamente na tela de um livro-computador, ou vice-versa.

Vejo, então, numa curva da estrada do futuro, toda a Biblioteca de Alexandria reduzida a uma construção de poucos centímetros de vidro, plasma e fibras óticas. E, nos recônditos das casas que sobreviveram aos edifícios, pilhas esquecidas de coisas mofadas, úmidas de lágrimas antigas, verdes de vergonha pelo abandono de olhos e mãos.

Observo que os últimos guardiões do templo livre das palavras - vencidos pelo tédio ou pelo tempo - já abandonam seus postos. E não há troca de guarda. Os bastiões semânticos estão entregues agora às traças ou trapaceiros, aos reitores ou novos sátrapas do mercado livreiro. O prazer estético da leitura se dilui no colorido veloz das interfaces.

O homem que, por algum motivo, se desfaz de sua biblioteca é um homem que já começou a morrer. Paixões arrefecidas no peito, já não o satisfaz a última novidade na forma, o inusitado da mensagem nova.

Não lhe interessa mais saber de Dostoievski nas linhas do autor contemporâneo mais famoso...O processo começa lentamente. Primeiro, retira da prateleira "tudo aquilo que não é mais essencial", ato que uma desculpa sutil justifica: "A velhice encurta as bibliotecas... ficam os valores autênticos, as vaidades vão embora."

Depois, num falso altruísmo, caso não tenha ainda vendido ou trocado nada, doa-se quase tudo.Em seguida, o torpor. Uma espécie de niilismo alastra-se pelo cérebro tal qual um tumor maligno, embotando os sentidos e a consciência. O humor (e a verve célebre) também começa a desaparecer, dando lugar aos resmungos, ao alheamento. "Tudo muito chato... já não se escreve como antigamente.

"Os amigos - ou o que restou dos companheiros de memoráveis batalhas intelectuais, de intermináveis tertúlias, onde revoluções começavam e terminavam sem um único morto, sem um pingo de sangue - ou morreram, ou cansaram, ou padecem do mesmo mal.

Os elos desta sociedade - que nasceu do aço puro da estética - enferrujaram e se quebraram de maneira quase imperceptível.As novidades que chegam pelo correio dormitam durante dias sobre a escrivaninha ainda vestidas de papelão. Antes, eram abertas com sofreguidão, como se escondessem diamantes e não palavras.

Os livros que chegam como presentes são quase desprezados. “Com tanta coisa interessante por aí, só me trazem besteiras”... O melhor, para quem sente sintomas como esses, é seguir os passos do Coronel Aureliano Buendía, e fazer um pacto honrado com a solidão - para o velho revolucionário do romance de Gabo, o verdadeiro segredo da boa velhice. Caso contrário, corre-se o risco de se esperar a vida inteira pela passagem do próprio enterro...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Diário de um estudante de Biblioteconomia(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Qual a importância da contação e da construção de histórias?
Divagando sobre essa indagação, viajei no tempo até muitos anos atrás.Amigos, parentes, meus avós e eu, sentados na calçada da casa de meus avós, no interior de Jaguaribe.Passava as férias nesse sítio.Num tempo em que a energia elétrica e a televisão não tinha chegado ali, em que as pessoas se reuniam para conversar, contar histórias, lembrar acontecimentos;num tempo em que ouvir estórias era tão ou mais interessante que assistir uma novela.
Histórias de trancoso, como a da botija, me fascinam até hoje.Na noite escura, onde só a Lua e as estrelas nos iluminavam, as narrações adquiriam um quê de mágico.Sentado na cadeira de balanço, balançando-me nos braços da imaginação.Essas eram noites fantásticas para mim.Estávamos juntos, e nada nos fazia falta...
com a energia elétrica veio a televisão.E essas noites se foram.Cada um na sua casa, em frente à televisão.Não pode perder a novela das oito;Nem o jornal Nacional.Por quê?Porque não, ora!
Anos depois, tentava lembrar-me das histórias ouvidas.Mas nossa memória às vezes nos é cruel.Contudo, algumas ainda consegui lembrar.E a que retive com mais nitidez foi a da botija.Com base nessa história ouvida, escrevi um conto.Aí cheguei em outro ponto:escrever sobre algo, verídico ou não, é o modo mais seguro de preservar ou mesmo mostrar nossa "leitura do mundo".sim, pois quantas histórias belíssimas contadas oralmente não se perderam por ninguém ter as escrito?

quarta-feira, 19 de março de 2008

Diário de um estudante de Biblioteconomia(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Aula dia 14/03/08

A professora Débora Adriano pediu-nos, para a aula do dia 14/03 que falássemos sobre nossa históra de leitura, nosso eu-leitor.
Minha paixão pelos livros e pela leitura começou desde cedo, através de minha irmã, Joyce, 4 anos mais velha do que eu.Era ela quem ensinava-me as lições de casa.Com ela aprendi a gostar de ler.No início, ela lia pra mim;com o tempo comecei a ler sozinho, e desde então, nunca perdi o prazer pela leitura.
Na infância e na adolescência devorava livros, um atrás do outro.Dos livros que li quando criança, duas histórias ficaram mais vivas em minha memória:"O pequeno príncipe", de Exupéry e "O menino do dedo verde", de Maurice Druon.Duas histórias incríveis e cheias de poesia.O pequeno príncipe nos cativa, como cativou a raposa;o menino que transforma em flores tudo o que toca, fazendo que canhões atirem flores e prisões, cinzentas e frias, em lindos jardins.
Certa vez um professor disse-me que entre os livros que lemos durante nossa vida, apenas uns 4 ou 5 nos marcam para sempre;os outros, esquecemos com o tempo.
Entre os inúmeros livros que li até hoje, apenas 2(além dos já citados da infância)são inesquecíveis para mim:"Os miseráveis", de Victor Hugo e Crime e Castigo", de Dostoiévski.
O drama humano e sua superação sempre me fascinaram, mas o poder do amor e do perdão é para mim um tema que supera todos os outros.
Em "Os miseráveis", vemos o drama de um homem, preso e obrigado a trabalhar nas galés, que,depois de livre, busca o perdão da sociedade e de si mesmo.Todos o condenam, mas o amor e o perdão de uma padre o transforma, dando-o uma segunda chance.Já em "Crime e castigo,, depois de cometer um crime brutal, o personagem principal do livro é atormentado pela sua consciência.
Duas histórias diferentes, mas que mostram que uma segunda chance é possível, que o amor trnasforma, que o perdão ressuscita.

Relógios



Estou sempre correndo atrás dele.Não o controlo, ele é quem me controla.Sempre o olhando,se não perco a hora.
Vida pré-determinada.Controle,controle.Hora de dormir, hora de almoçar, hora de estudar, hora de...
E se não existisse, como seria?Como seria?Guiando-nos pelo Sol, pelas estrelas, como muitos já fizeram.
Horas, minutos, segundos que se passam.Escravidão.Escravos do próprio tempo.

Diário de um estudante de Biblioteconomia.(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Aula dia 11/03/08

Nessa aula, fizemos uma dinâmica simples, mas cheia de significados.Dentre inúmeras revistas, escolhemos uma ilustração que nos remetesse a algo, que tivesse algum significado para nós.Escolhi falar sobre o relógio.(veja "Relógios" em contos e recanto de escrita), por lembrar de algo que percebi há algum tempo:o quanto somos dependentes dele.
Uma das interpretações que tirei da dinâmica foi a questão dos pontos de vista, dos significados que cada um atribui a algo.Uma paisagem, por exemplo, pode ser vista de diversas formas diferentes.Um pôr-do-sol,um olhar...fico feliz que seja assim.Já pensou se todos nós pensássemos iguais, tivéssemos as mesmas opiniões, os mesmos pontos de vista?Como a vida seria chata!

Infãncia

Lembro-me dos meus momentos da infância, das infinitas brincadeiras, dos sorrisos e aventuras, muitas já esquecidas em minha memória.
Uma dessas brincadeiras, marcante para mim foi a escolinha.Com uma pequena lousa simulávamos aulas.Minha irmã era a professora;o Joni(meu irmão), nossos amigos e eu éramos os alunos.As aulinhas eram principalmente de Português.
Um dia estávamos meu irmão, um amigo e eu, brincando com um carrinho grande que meu irmão tinha.Alguém que não me lembro, deu a idéia de algum de nós sentar-se em cima do carrinho enquanto outro empurrava.A cobaia foi eu.O Joni empurrou.Andamos um três metros enquanto eu gritava:"Que gostoso!Que gostoso!"Quando paramos, percebi que havia me machucado na coxa, logo abaixo de uma das nádegas.Comecei a chorar; minha mãe veio correndo, assustada.Levou-me para o posto de saúde, onde fizeram um curativo.Depois de tirado o curativo, ficou uma grande cicatriz, mais escura que o resto da pele, que tenho até hoje.
Minha mãe e a Joyce então caçoaram de mim, dizendo que quando me cassasse, minha mulher, ao ver a cicatriz, perguntaria:"Que foi isso,amor?".
Sorrio ao recordar esses momentos.Bons momentos...Mas renascem a cada vez que nos pomos a lembrá-los, a cada foto esquecida que vemos.

terça-feira, 11 de março de 2008

Crime e castigo: meu livro preferido

"Crime e Castigo (título original Prestuplenie I Nakazanie) é um romance do escritor russo Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, publicado em 1866. Narra a história de Rodion Românovitch Raskólnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito.
O livro/novela se baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo e niilismo."
Certa vez um professor disse-me que entre os livros que lemos durante nossa vida, apenas uns 4 nos marcam.Posso dizer que dois livros foram marcantes para mim: Crime e Castigo, de Dostoiévski e Os Miseráveis, de Victor Hugo.
O poder do perdão e do amor que ressuscita, que transforma, é mostrado de forma magistral nesses livros.Recomendo.

sábado, 8 de março de 2008

Silverchair-Reflections of sound



Ecos de um som

Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.

Eu sei, muita turbulência já foi vivenciada
Minha última gota de esperança não vai durar para sempre
Como uma memória nunca precisa

Nós passeamos presos em pensamentos
Alguns são vagos, alguns cresceram demasiadamente curtos
É a única coisa que eu tive até agora que me mantém sozinho

Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.
Quando ninguém está perto

Pegue carona nas curvas do tempo
Sinta-se tão vazio quando eu me sinto tão bem
Um recomeçar poderia revelar novos horizontes

Eu venho esperando faz muito tempo
Sigamos juntos
Pois você me mantém animado, apesar do Sol decadente que se põe

Já há muito tempo que eu espero
Agora minha cabeça está cheia de pressão
Eu preciso de tempo para reorganizar meus pensamentos
É como um ‘’loop’’ que dura pra sempre

Eu venho esperando faz muito tempo
Sigamos juntos
Pois você me mantém animado, apesar do Sol decadente que se põe

Perante o Sol, nós estamos propensos a nos tornarmos
Ecos de um som.
Quando ninguém...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ana



Ana não queria mais viver
Não queria mais chorar
Não queria mais rir
Nem viver de aparências
E voou no vazio.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Gostares não-correspondidos

Júlia gostava do Roberto.Dizia até que não seria feliz sem ele, que era o grande amor de sua vida.Contudo, não era recíproco.Roberto gostava da melhor amiga da Júlia, Tereza, que não gostava dele, mas para satisfazer sentimentos íntimos, era muito simpática com o Roberto, apenas na frente da Júlia.
Tereza se derretia mesmo era por João Vítor, rapaz belo, elegante e solteiro.Em meio à indiretas e diretas tentava fazê-lo interessar-se por ela.Porém, suas jogadas de cabelo, beicinhos e olhares devoradores, pareciam não o tirar de sua fria indiferença.Chegou até a insinuar que seria dele, caso quisesse.Ele fingiu não entender.
João Vítor era homossexual, não assumido.Tentava esconder sua opção dos outros, mas a maioria já desconfiava.Só mesmo Tereza não acreditava nos boatos, ou não queria acreditar.
O amor não correspondido de João Vitor pelo padeiro da pequena cidade onde moravam o fazia chorar à noite.Ele que comprava pães, bolos,tortas, roscas, doces e tudo o que tivesse na padaria, só para poder olhar para o seu adorado, que no entanto, não lhe dava sequer um olhar, ou palavras além do necessário.
O padeiro gostava de dona Lurdes, trinta-e-la-vai enxutona., loira e casada com seu Geraldo, que a traía com a vizinha do casal.Dona Lurdes não era indiferente aos olhares impudicos do padeiro,e até dormiria com ele, quando chegasse sua vez na lista dela.Ele tinha uma ajudante, Rafaela, pau pra toda obra.Rafaela não gostava dele, mas precisava do emprego para sustentar seus cinco filhos, um de cada pai, a propósito.
Apesar de gostar muito do Henrique, rapaz certinho e respeitador, Rafaela não era muito estimada pelo rapaz, que só se casaria com uma moça virgem, segundo ele.
A moça virgem, sondada por Henrique achava-o narigudo e feio, a despeito de sua simpatia.Disposta a mudar de epíteto,soltava-se toda quando via o Arnaldo, que a ignorava, criança demais pra ele.Mulher pra ele é mesmo a Júlia.Mas a Júlia gostava do Roberto, que gostava da Tereza, que gostava...
Jorge Santos

terça-feira, 4 de março de 2008

Fuga



Entre ruas desertas,lugares errantes
Passos incertos ecoam na escuridão
Correndo,e já sabendo de antemão
Que o destino está muito distante

Eternamente fugindo
De seu incansável perseguidor
A sua entrega é dor
Que jamais terá findo

No fim do túnel não há luz
Apenas a continuação
Dessa jornada que conduz

Ao limite da razão
Carregando sua cruz
De sofrimento e solidão.

Jorge Santos

sábado, 1 de março de 2008

Diário de um estudante de Biblioteconomia(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Dia 29/02/08
Na aula passada a profª. pediu-nos que escrevêssemos sobre algum fato ou acontecimento marcante em nossa vida.Muitos narraram como foi passar no vestibular e ingressar na universidade.Outros, como eu, lembraram de momentos da infância.
Recordei as brincadeiras, as mais memoráveis(ver "Brincadeiras" em:Contos e Recantos de Escrita).Optei por narrar fatos de minha infância pois foi nela que passei os melhores momentos de minha vida.
A infância pra mim tem um significado mágico.Nela, tristezas e decepções, nada disso existe, só a alegria.Quando somos crianças, a vida é uma festa constante.Nada de ódio nem rancores, tudo é esquecido rapidamente .Infância: a vida num carrossel, que gira, gira...
Emocionei-me com alguns dos relatos de meus colegas.Refleti então sobre essa indagação:Por que os nossos problemas sempre nos parece maiores que os dos outros?Sim, pois ao ouvir sobre as dificuldades pelas quais passaram alguns de meus colegas para estarem ali, me dei conta disso.Lembrei então de algo que meu pai me disse um dia: que as pessoas só dão o devido valor a algo quando isso é conseguido através de muito esforço, muita luta.
É, para ser feliz é preciso sofrer.Para viver é preciso sofrer.Ninguém passa por esse mundo sem isso.Mas a vida nos reserva também momentos felizes.Sonhos realizados, amigos verdadeiros, o amor correspondido...
Viver e ser feliz, viver e sofrer, mas superar tudo, dar a volta por cima.

Diário de um estudante de Biblioteconomia(disciplina de Teoria e Prática da Leitura)

Dia 26/02/08

1ª aula de Teoria e Prática da Leitura.A profª.: Débora Adriano nos pediu que escrevêssemos em um papel 4 qualidades nossa.Apresentamos o que escrevemos à turma, dizendo também o porquê das escolhas.Em seguida nos fez outro desafio: propôs agora que disséssemos apenas 1 defeito.
A dinâmica, a princípio tão simples, levantou questões e reflexões sobre a forma como nos vemos e como os outros nos vêem.Será que conheço realmente o outro?E será que me conheço de fato?Os outros identificam qualidades minhas, que para mim são tão óbvias, ou só eu as percebo?
No decorrer da dinâmica, me dei conta de algo inerente ao ser humano: como é tão mais fácil encontrar os defeitos do que as qualidades.É como se os nossos mínimos defeitos ofuscassem as mais belas qualidades.E isso nos leva, inevitavelmente, a julgamentos precipitados sobre o próximo.
Urge mudarmos isso.Talvez, durante a nossa vida, deixamos de conhecer pessoas maravilhosas, pelo simples fato de a julgarmos pela primeira impressão.Então olhe melhor pra ele(ela), sobre outra ótica, sobre outros espelhos.Sim, aquele espelho diminui, mas aquele outro aumenta, e mais adiante tem um que deforma as imagens, fazendo-nos monstros.Escolha os espelhos...E se olhe também.